Tem uma comunidade no Orkut chamada “Trabalho para Jornalistas”. É bem interessante acompanhar porque, volta e meia, aparece por lá uma vaga boa, em empresas decentes. E acho muito bacana porque torna tudo mais democrático, pelo menos, aparentemente. As vagas, ali, são garimpadas pelos próprios membros da comunidade. As empresas que se dispõe a publicar suas vagas na internet, a princípio, estão abertas a novos talentos. Isso se não for algo de fachada, só para dizer que ali não há QI.
Mais interessante ainda é ler os comentários dos membros da comunidade no fórum. Por exemplo, uma das vezes que entrei, havia uma empresa que estava contratando assessor de imprensa com um salário até razoável para quem está em início de carreira. Dentro da tabela e carga horária do sindicato. Duas ex-funcionárias da tal assessoria não aconselham os colegas a entrar no processo de seleção, porque a empresa é uma bagunça e não dá nenhum infra-estrutura para trabalhar: os computadores nunca funcionam, os métodos são arcaicos, os chefes são incompetentes…
A seguir, inicia-se um debate, que vai esquentando. Alguns membros, em especial um, diz que “isso é culpa dos jornalistas da velha guarda, profissionais de quinta, que abrem empresas de quinta, e que desconhecem os novos processos de comunicação, as novas mídias”. No caso das assessorias, em alguns casos, isso se confirma. Quem ficou preso ao passado vai fazer aquela assessoria feijão com arroz: comprar um mailing e mandar milhões de releases por dia, sem critério algum. Aliás, sem nem se dar ao trabalho, como bem faziam os assessores da velha guarda, de ligar para os colegas ou visitá-los nas redações para oferecer a pauta. Algo que faz falta hoje em dia em qualquer área: o olho no olho, a conversa, o diálogo. Ao contrário, conseguem cada vez mais clientes e colocam estagiários ou profissionais mal pagos para fazer o “beabá” e nada mais. Hoje, a comunicação evoluiu, apesar de ser mais fácil clicar num botão e espalhar sua notícia para o mundo e para todo mundo, essa não é uma tática que gera resultado. Eu recebo tantos, mas tantos releases, que acabo jogando tudo fora. Isso quando o meu servidor não se encarrega “pessoalmente” disso. Trabalho com saúde, mas recebo tudo quanto é tipo de informação.
Existem formas de atingir o público desejado com as tais novas mídias sociais, com as redes etc. Mas isso não vai valer de nada se a notícia, se a informação não for relevante e de qualidade. Jornalismo será sempre jornalismo em qualquer época. O bom jornalismo não muda. A velha guarda tem muito a nos ensinar. É bom lembrar que as grandes empresas de comunicação hoje no mercado são do pessoal da velha guarda. O que dizer da TV1 (da qual sou fã) de Sergio Motta Mello? Isso só para citar um entre tantos exemplos.
O mesmo rapaz que tanto critica a velha guarda, diz que odiava, na faculdade, esses professores que ficam contando histórias do jornalismo de mil novecentos e bolinha. Pois eu adorava esses professores. Um deles: Marcos Faerman, gênio do jornalismo. História, minha gente. A vida, o mundo, a nossa vida é feita de história. Um outro membro, uma garota, critica o repórter que ainda acha que jornalismo se faz nas ruas. Como assim? O jornalismo ainda está, sim, nas ruas. “E não só nos caminhos do Google”, como diz meu amigo e ex-funcionário Ricardo Balego. Só que as ruas estão mais amplas. As notícias estão em toda parte.
Um bom texto, uma boa abordagem, uma boa visão, “feeling”, criatividade, ética, disso depende um bom jornalista. Esteja ele nas redações, ou nas assessorias. Profissionais ruins existem em todas as gerações. Não é porque você é jovem, ou porque é amadurecido que está em vantagem. A comunicação evoluiu, mas a base do bom profissional é a mesma. “Antenar-se” com as novas tendências é essencial para sobreviver no mercado, mas sem esquecer como tudo começou.